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Stylista

SAME SAME BUT DIFFERENT


A conversa é a mesma em vários cantos do mundo; a indignação - por parte da auto-proclamada elite editorial da moda - perante o espectáculo montado por bloggers e celebridades de street style num circuito paralelo ao dos desfiles.

O sagrado e o profano. A elite (editores) e os novos burgueses (bloggers). Os que falam do que sabem e os que falam do que vestem. Os primeiros que se manifestam contra a 'afinidade' comprada pelas marcas e os segundos que estão a capitalizar a procura manifestada pela nossa curiosidade e a aproveitar para agarrar merchandising caro, de mão beijada (quem não gostaria?).

O discurso - desta vez da Suzy Menkes, num artigo para o NY Times - é nostálgico, snob e romântico; no tempo dela é que era bom, quando a moda existia só para os verdadeiros conhecedores, quando se sentiam parte de um clube restrito, quando ninguém se vestia para chamar a atenção (?), quando não existiam tontos excêntricos (?), quando o assunto moda era sério, quando era impensável (cof cof!) alguém desta classe ser aliciado com produtos altamente desejáveis. Os blogs mudaram o jogo, levaram a moda ao mundo - e o povo não merece a moda - enquanto ofuscam o trabalho dos jornalistas com a sua ignorância, vaidade e egocentrismo.

A Suzy está muito ao lado. O jogo é exactamente o mesmo; estes senhores são só os novos jogadores e estão numa equipa diferente - que nem sequer é a adversária. 

Não faz sentido nenhum - a meu ver - esta comparação cansativa de jornalistas com bloggers. São funções, discursos e propósitos completamente diferentes.

O produto estava em lojas, revistas, televisão e agora - com a extensão digital aos planos de marketing - quer estar em plataformas online, de preferência onde passe muita gente. Na indústria da moda, os bloggers de estilo pessoal são a montra ideal.

Assim sendo, passamos a ter bloggers marketeers; bloggers-comunicadores, bloggers-vendedores. A diferença da comunicação neste modelo e nos conhecidos anteriormente é que há um enredo à volta da exposição de produto. Há uma história de lifestyle, há profundidade e dimensão no comunicador, há relatos de experiência, há sugestão de utilização, há um género de 'serviço ao cliente' presente nas trocas de mensagens, há feedback e interacção constante, há uma complexidade que não existia nos meios anteriores.

É uma profissão nova - comummente desvalorizada - cujo job description envolve pesquisa intensiva, conhecimento do mercado e dos seus jogadores, sentido estético apurado, estilo pessoal diferenciado, coerência e solidez no discurso, geração e gestão de conteúdos diários, empatia com público, promoção da plataforma - lá está, a MUITO IMPORTANTE presença no 'circo' - capacidade de inovar, surpreender, divertir e entreter.

O atrito e o tema desta discussão vem de uma gestão de expectativas errada. 

Porque é que se espera que o blogger seja o novo jornalista?

Os bloggers 
- nesta categoria de grande tráfego/grande push de produto -
 são marcas.

Marcas com placing cuidadoso de produto.

Marcas que deviam ser respeitadas pelo trabalho INDIVIDUAL que gera resultados
que muitas marcas com grandes equipas e departamentos distintos 
não conseguem equiparar.

Fim de discussão bloggers/editores famosos vs jornalistas.

O mundo muda, o modus operandi também.

É tudo igual mas diferente :)

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